Aprender - O portal de ensino superior

Gestão de TI

Novas tecnologias a favor da educação

10/09/2007

Marco Antonio Barbosa
Da Tempestade Comunicação


Imagine ver na internet uma reprodução virtual do campus onde você tem aulas. Ou aprender inglês com a ajuda de softwares de concordância e pronúncia. Ou, ainda, dispensar a velha dupla escaninho e xerox e consultar os textos necessários para suas disciplinas direto do blog de seu professor. As instituições privadas de ensino superior estão aproveitando o conhecimento do século 21 para oferecer o que há de melhor aos seus alunos. O uso de tecnologias avançadas e, ao mesmo tempo, acessíveis está se tornando cada vez mais comum nas salas de aula - onde giz, lousa e cadernos convivem com recursos multimídia e uso da internet. Já existem vários exemplos do uso criativo das novas ferramentas tecnológicas no ensino.

"É grande o número de instituições brasileiras que está introduzindo a tecnologia no ensino. Entretanto, é errado pensar que basta introduzir a tecnologia no processo de ensino - como, por exemplo, dotar cada sala de aula de sistema multimídia de projeção e criar um portal na internet para disponibilizar conteúdo" explica Elisa Wolynec, doutora e livre-docente pela USP (Universidade de São Paulo), diretora de marketing da Techne Consultoria e especialista em tecnologia da educação.

"Se os professores apenas transferirem para o sistema de projeção o que antes apresentavam no quadro negro, se a Web for utilizada apenas para publicar em um portal institucional o currículo do curso, os planos de aula, o conteúdo ministrado e a bibliografia, ganha-se apenas em organização e facilidades para os alunos. Porém não são introduzidas melhorias significativas na formação dos alunos e na eficácia da aprendizagem", alerta.  "O redesenho dos cursos, a adoção da aprendizagem ativa como modelo pedagógico e a adoção de sistemas de gestão de mercado [com ferramentas de sucesso comprovado em outros países] é fundamental para o sucesso dessas iniciativas", aponta Elisa.

Second Life

Um exemplo citado como positivo é o caso da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, que, segundo Elisa, tem como principal diferencial o alinhamento de seus cursos com as necessidades do mercado de trabalho. Ela foi a primeira universidade brasileira a abrir um campus virtual no Second Life, o "simulador de vidas online" que faz sucesso no mundo inteiro. Usuários do Second Life (já são quase 400 mil em todo o Brasil, dentro de um conjunto de oito milhões de cadastrados no mundo) podem tirar dúvidas sobre cursos, fazer inscrições em disciplinas e conhecer mais sobre a instituição, levando seus avatares (representações virtuais de si mesmos) até a versão virtual da universidade - basta digitar "Anhembi Morumbi" no menu "Procurar" do site. No ar desde maio, o campus digital já teve mais de 18 mil visitas.

"Nosso espaço no Second Life será uma espécie de incubadora virtual para a universidade", afirmou Maysa Simões, diretora de marketing da Anhembi Morumbi. 
A USP e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo se uniram para explorar melhor as possibilidades do Second Life. Em conjunto com outras diversas instituições, as duas instituições lançaram a Cidade do Conhecimento 2.0, um espaço público que, conforme explica Gilson Schwartz, diretor do projeto, "abriga iniciativas inovadoras na área educacional, social, ambiental e de empreendedorismo tecnológico".

Novas ferramentas

Outra das febres da internet, o YouTube -  site no qual internautas podem assistir e cadastrar vídeos feitos por eles mesmos - vai ganhar uma versão feita pela USP, voltada à divulgação de conteúdo acadêmico. Idealizado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa com o apoio do Larc (Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores) da Escola Politécnica da USP, o IPTV Experimental terá seis canais de programação produzida na universidade.

"Teremos um canal principal, mostrando a vida universitária, canais específicos para arte, cultura, ciência e humanidades e a transmissão online de eventos que ocorram no campus", explica o professor Gil da Costa Marques, coordenador de Tecnologia da Informação da USP. Além dos canais regulares, o serviço permitirá o acesso a vídeos produzidos por professores e alunos da universidade.

Expandindo a idéia pioneira da Anhembi Morumbi (seguida também pela Universidade Mackenzie), o Centro Universitário Senac está utilizando o Second Life de modo inovador. Desde o fim de agosto, a instituição oferece cursos ministrados no próprio universo virtual. "Queremos qualificar nossos alunos para usufruir do jogo e depois entrar no mercado de trabalho que está sendo aberto com o SL", diz Regina Helena Ribeiro, coordenadora de ensino à distância do Senac, instituição que, de acordo com Elisa, destaca-se pelo esforço concentrado na capacitação pedagógica de seus docentes em utilização de tecnologia no ensino.

Criado pela Universidade Paulista para integrar seus alunos e professores às novas tecnologias, o projeto Unip Interativa está ampliando os limites do ensino a distância. Destacam-se o uso de fóruns e chats (que são arquivados e disponibilizados para futuras consultas) e de comunidades virtuais de alunos (com áreas próprias para trocas de arquivos e e-mails), além de painel de discussão e sala virtual. Uma das pioneiras no uso da computação no meio universitário brasileiro, a Unip também oferece desde 2003 o curso de Comunicação Digital, voltado à aplicação dos novos meios digitais na produção de mídias variadas.

"Nosso objetivo é oferecer a todos os alunos, não apenas àqueles que freqüentam as aulas de Comunicação Digital ou Rádio e TV, uma infra-estrutura adequada para ampliar o conhecimento, dar maior motivação ao estudo, aproveitando os avanços da tecnologia que já estão ao nosso alcance", disse Marcelo Souza, gerente de informática da universidade.

Era digital

As novas tecnologias estão presentes mesmo fora das salas de aula. Na Faculdade IBTA, que mantém unidades em São Paulo, Campinas e São José dos Campos, as decisões dos coordenadores de curso e reuniões entre professores vêm sendo realizadas em salas virtuais desde julho. Todo o processo é digital: as discussões são agendadas por e-mail e os participantes conversam por meio de chat, usando a ferramenta TelEduc, desenvolvida para e-learning. "Dessa maneira, evitamos o deslocamento dos professores e garantimos a objetividade das reuniões", afirmou Guilherme Zillig, administrador do programa de salas virtuais da IBTA.

"A era digital demanda das IES uma ampla gama de inovações, como já ocorreu em outros ramos empresariais. É preciso mudar e inovar nos currículos, na organização e gestão institucional, na arquitetura das salas de aula, no ambiente de ensino, na avaliação da aprendizagem e, sobretudo, na criação de novos espaços de transmissão de conhecimento centrados no aluno. Resistir às mudanças será letal, tanto para docentes quanto para instituições", resume Elisa.

Leia também:

Brasil tem maior concentração de IES no Second Life

  • Currently 0; ?>/ TOTALSTARS
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Publicidade

CM Consultoria

Relacionados

Copyright 2007 - CM Consultoria - Todos os direitos reservados