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Gestão de TI

Bibliotecas virtuais ganham o mundo real

02/08/2007

Alex Sanghikian, da Tempestade Comunicação

Foi-se o tempo dos cartões de biblioteca, de quando lembrávamos de renovar o empréstimo do livro só no fim de semana, quando não tinha mais como fazê-lo, da correria ao balcão para pegar o volume pedido pelo professor. Hoje em dia, está tudo na Internet. Instituições de ensino superior de todo o Brasil têm investido pesado na informatização de seus acervos para facilitar a vida dos estudantes e docentes. Agora aptos a reservar, renovar empréstimos e consultar na frente do computador.

"A biblioteca virtual se apresenta como uma alternativa para ampliar as condições de busca, disponibilidade e recuperação de informações", analisa Maria Eveli de Barros Freire, coordenadora do Sistema de Bibliotecas da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Um dos maiores destaques nesse sentido, porém, fica por conta da biblioteca virtual da USP (Universidade de São Paulo). Além de um acervo com publicações internas, como monografias e TCCs (trabalhos de conclusão de curso) e um sistema de busca, comum à maioria das grandes universidades, a USP disponibiliza para todos os usuários, e de forma gratuita, uma biblioteca digital de obras raras e especiais.

Nesta seção, o internauta pode fazer o download ou consultar na íntegra os volumes diretamente pelo computador, graças a um esforço da universidade em digitalizar obras raras de domínio público.

"As bibliotecas virtuais ou digitais precisam do mesmo trabalho das bibliotecas tradicionais, ou seja, é necessário selecionar, adquirir, tratar tecnicamente e disseminar o acervo aos usuários", explica a diretora técnica do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, Adriana Cybele. "O que muda é o ambiente. Numa biblioteca virtual, os serviços prestados estão integralmente disponíveis na Internet. Assim, é necessário que se escolha um software e hardware adequados ao público que se pretende atender", diz.

Investimento

Engana-se quem pensa que um ambiente virtual não requer tanto capital quanto uma biblioteca física. Na maioria das vezes, o investimento é o mesmo, tanto em implantação, como em manutenção.

"Embora alguns projetos optem por metodologias gratuitas disponíveis na rede (chamados softwares livres),  a manutenção de uma biblioteca virtual/digital requer investimentos  para sua sobrevivência", ressalta Adriana. "Para a manutenção do software e hardware pode-se optar por parcerias com empresas especializadas,  se a organização não tiver uma equipe de pessoal de informática própria", explica.

No caso da Anhembi Morumbi, que conta atualmente com o Sistema de Bibliotecas da Universidade Anhembi (SISBAM), a solução foi modernizar a área de informática. "Quando optamos em oferecer em um só local a informação digital e em papel, precisamos de recursos de hardware e software para armazenamento das informações, que solucionamos com a aquisição de dois servidores para a biblioteca", conta Maria Eveli.

"Os principais obstáculos são a padronização de todos os documentos, e pessoal técnico para processar a informação", destaca. Um dos resultados desse esforço foi a certificação ISSO 9001 obtida pela SISBAM pela qualidade dos serviços. A instituição foi a primeira universidade privada no País a obter o atestado em suas instalações.

Retorno

No caso das bibliotecas virtuais, o retorno é obtido por meio da qualidade de serviço, aliada a uma maior visibilidade da instituição com sua modernização, e, conseqüentemente, um potencial mais sólido para atrair novos alunos.

"Temos 70% do campus de Monte Alegre (SP), da área de Humanas, inscrito em nossa biblioteca virtual", conta Ana Rapassi, bibliotecária-chefe da PUC São Paulo. A instituição disponibiliza em sua página na Internet teses e dissertações a partir de 2006 digitalizadas para consulta integral, além de possibilitar ao estudante da PUC reservar seus livros via Internet.

Trabalho parecido é realizado no Mackenzie, onde, além dos serviços tradicionais, a instituição também se preocupa em auxiliar as diversas faculdades assinando e digitalizando o conteúdo de diversos tipos de periódicos. "Temos base de dados periódicos e eletrônicos. O estudante pode acessar revistas com sua senha de e-mail. Para todos alunos, professores funcionários, disponibilizamos magazines nacionais e importadas das mais diversas áreas para consulta. Algumas inclusive podem ser acessadas de casa, sem precisar usar o terminal da faculdade", conta Rosely Mulin, supervisora da biblioteca do Mack.

Futuro

A Internet e o avanço da tecnologia o tempo todo têm colocado em xeque o futuro físico de muitos elementos comuns hoje em dia. A biblioteca é um deles. Porém, até que ponto isso é mesmo verdade? Segundo Adriana Ferrari, esta é uma realidade pouco palpável.

"Afirmar isso seria o mesmo que dizer que o vídeo ou DVD substituirão o cinema", sentencia. "Mas penso que as bibliotecas devem oferecer cada vez mais serviços especializados aos usuários, e aqueles que a continuarem freqüentando presencialmente deverão encontrar algo diferente do que está disponível no ambiente digital. Vejo as bibliotecas como espaços de integração das pessoas, mais dinâmicos, não apenas como espaços de armazenamento de coleções, uma das funções importantes e tradicionais. Aquelas bibliotecas que não entenderem isso poderão realmente ser esquecidas pelos seus usuários", projeta.

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