14/12/2007
Alex Sanghikian
Da Tempestade Comunicação
O ano de 2007 marcou um período novo para as instituições de ensino superior no Brasil. Em março deste ano, a Anhanguera Educacional, de São Paulo, tornou-se a primeira IES brasileira a abrir capital em bolsa de valores. Logo em seguida, outras partiram pelo mesmo caminho, como a Pitágoras, de Minas Gerais, a COC, de São Paulo, e a Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, maior universidade privada brasileira, com 176 mil alunos matriculados.
De acordo com o professor José Luis Poli, vice-presidente acadêmico da Anhanguera Educacional, a instituição decidiu quebrar paradigmas e ser a IES pioneira nessa categoria no Brasil porque precisava se expandir.
"Estruturamos a empresa para a entrada na bolsa a fim de captar os recursos necessários para o nosso crescimento sustentado. Igualamos-nos a grandes empresas do Brasil e do Mundo, e trouxemos investidores que, como nós, acreditam na educação superior dos jovens brasileiros", explica o acadêmico. "Assim, nossos alunos têm a confiança de estudarem em uma empresa sólida, séria, e com uma forte estrutura comprometida com a formação do aluno", assegurou.
Com captação total de R$ 512 milhões e valorização dos papéis superior a 90%, a instituição está na segunda posição no ranking dos melhores IPOs (sigla em inglês para oferta pública de ações) do ano. A IES teve 75% de seu capital adquirido por investidores estrangeiros.
Com o dinheiro proveniente da entrada na bolsa, a Anhanguera entrou no ranking das cinco maiores instituições de ensino superior do País. Isso se deveu principalmente ao investimento na aquisição de outras instituições e a conseqüente abertura de novas unidades, permitindo assim a expansão geográfica da IES no Brasil. "Investimos também na estruturação física de nossos prédios, melhores equipamentos dos laboratórios, maior quantidade de livros nas bibliotecas e expansão do programa de capacitação docente", conta Poli.
Mas este não é um caminho fácil. A COC, que disse por meio de assessoria de imprensa à reportagem da @prender que ainda é cedo para comentar a entrada no mercado de capitais pelo fato de a empresa ainda estar em processo de adaptação, viu queda no preço de suas ações logo de cara. A SEB (Sistema Educacional Brasileiro), empresa dona do grupo COC, entrou na Bovespa no dia 18 de outubro passado e nesta mesma data as ações chegaram a ter queda de 4,5%. Mas os especialistas acreditam foi dado um passo certo e a tendência de crescimento é clara.
Consolidação do mercado
O fenômeno ainda é novo para que possa ser considerado um caminho para as instituições de ensino superior no Brasil. Porém, de acordo com o professor Carlos Monteiro, dirtor-presidente da CM Consultoria, isso já deflagra um processo inevitável no inflacionado mercado de IES no País. "Não creio que seja uma tendência, mas sim uma consolidação do mercado, que envolve outras vertentes além da abertura de capital, como o surgimento de grandes conglomerados e redes de instituições", afirma.
Segundo Monteiro, essa consolidação irá se refletir no "enxugamento" do setor de ensino superior no Brasil, que conta atualmente com cerca de duas mil instituições espalhadas pelo País. "Esse processo de enxugamento do mercado fará com que as maiores IES comprem as menores, ou que essas últimas fechem as portas", previu.
Como se estruturar?
Antes de se lançar numa empreitada como essa, a IES deve antes repensar alguns conceitos, de modo a fazer com que esse processo tenha um gerenciamento adequado de riscos. Segundo Monteiro, três itens são fundamentais.
"É preciso que a instituição primeiro mude sua filosofia, ou seja, pare de pensar como uma entidade e passe a funcionar como empresa. Com ou sem fins lucrativos, a finalidade dela é o resultado", destacou.
A segunda, de acordo com Monteiro, seria o desafio de continuar crescendo sempre, e a terceira, a capacidade da IES saber se organizar para seguir nesse processo de expansão. "A instituição deve se perguntar: ‘Como vou me organizar para continuar crescendo'; ‘Dependo apenas de recursos internos?'", exemplificou.
Processo de abertura
Se algumas poucas instituições decidiram partir para a abertura de capital, a maioria ainda provavelmente nem sabe como proceder para tal. De acordo com a Bovespa, o processo de entrada na bolsa de uma IES é exatamente o mesmo de uma empresa normal. Os passos básicos são analisar a conveniência de colocar sua IES na bolsa, ou seja, ver se realmente vale a pena estrategicamente falando; escolher o intermediário financeiro; e preparar a documentação necessária e a reforma estatutária.
Ainda segundo a Bovespa, muitos são os benefícios da abertura de capital quando bem feita, como maior acesso a capital, liquidez patrimonial, utilização das ações como forma de pagamento em aquisições, reestruturação de passivos, dentre outros.
Serviço
Para saber de tudo que envolve o processo de abertura de capital, acesse o site da Bovespa especialmente direcionado ao assunto, que conta com informações detalhadas e um curso sobre o tema.
Foto: Antônio Carreiro/Divulgação/Bovespa
Copyright 2007 - CM Consultoria - Todos os direitos reservados