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Gestão de Finanças

Análise de mercado é primeiro passo para aquisições

  08/04/2008

Gabriela Bittencourt
Tempestade Comunicação

Para crescerem e se manterem competitivas, instituições privadas de ensino superior possuem a estratégia de adquirir outras faculdades para formação de centros educacionais. Com essa alternativa ao crescimento orgânico, as IES conseguem expandir reduzindo os custos atribuídos ao processo, além de se beneficiar da infra-estrutura montada e do conhecimento das faculdades adquiridas.

O Grupo Educacional Cruzeiro do Sul, representado em São Paulo pela Unicsul (Universidade Cruzeiro do Sul), é uma das IES que opta pela aquisição de faculdades para crescer. No final de 2007, a entidade comprou o Unimódulo (Centro Universitário Módulo), no litoral norte de São Paulo. Mais recentemente, o UniDF (Centro Universitário do Distrito Federal). Com a estratégia, o Grupo atingiu a marca de 33 mil alunos e ampliou sua atuação para mercados além de São Paulo.

"Hoje essa é uma boa forma de crescer. O desenvolvimento orgânico está prejudicado pelo desequilíbrio entre a oferta e a demanda do ensino superior. O mercado está estagnado em função da pouca procura. Expandir nesse ambiente é muito difícil. Para crescer com a velocidade adequada, o crescimento via aquisições é a melhor alternativa", afirma Fábio Figueiredo, diretor-adjunto do Grupo.

Carlos Lacerda, diretor de relações com investidores da Estácio Participações S.A., lista as vantagens das compras de outras faculdades. "Entre os aspectos positivos das aquisições estão as autorizações para funcionamento, infra-estrutura já montada e, principalmente, a base de alunos", enumera. De acordo com ele, a IES está acompanhando as ofertas deste mercado. "Nosso crescimento se dá de forma orgânica, mas também por aquisições. A Estácio está atenta e fortemente capitalizada para aproveitar as oportunidades de compra."

Para Carlos Alberto Filgueiras, co-fundador e diretor-presidente da Fanor (Faculdades Nordeste), em Fortaleza, a aquisição de instituições é uma das principais estratégias para aumentar sua parcela de participação no setor. A IES passou a atuar em Salvador em 2008 e faz planos para comprar faculdades localizadas em São Luís, Teresina, João Pessoa e Belém até julho deste ano. "Trabalhamos com o crescimento orgânico. Mas acreditamos que fazer aquisições é a melhor maneira de entrar em outras áreas da região. Assim aceleramos o processo de crescimento através da absorção do conhecimento da instituição adquirida e do posicionamento de sua marca na área em que já atua", observa.

Critérios

De acordo com o secretário de educação superior do MEC (Ministério da Educação), Ronaldo Mota, a fusão das faculdades é válida desde que os grupos educacionais responsáveis pelas compras tenham atenção à qualidade. "Qualquer maneira de crescimento pode ser aceitável se a sua motivação for a melhoria do ensino ministrado aos estudantes. Este é o principal referencial do MEC ao analisar o tema. A Sesu (Secretaria de Educação Superior) está atenta ao movimento. Se preponderar a visão mercadológica em prejuízo à qualidade, nossos indicadores evidenciarão e as medidas compatíveis serão tomadas", diz o titular da Sesu.

O diretor-adjunto do Grupo Educacional Cruzeiro do Sul acredita que o estabelecimento das aquisições como ação para competir no mercado do ensino superior não causa prejuízos ao ensino. "Essa é uma estratégia para crescer. O ensino superior privado é um segmento econômico como qualquer outro e precisa ter superávit e um constante re-investimento. O grupo está bastante atento a essa necessidade. Não há um ano em que a gente não faça investimento em infra-estrutura. Na medida em que agregamos volume, maior é a margem de aplicação nas faculdades adquiridas", pondera Figueiredo.

A experiência das faculdades compradas nas áreas onde elas atuam é observada pelas IES que optam por essa alternativa de crescimento. "Nossa proposta não é ter uma unidade estratégica para todas as faculdades que fazem parte do grupo. Queremos manter as linhas táticas das instituições para o mercado específico das suas regiões e potencializar o valor das marcas adquiridas. Por isso um dos pré-requisitos para a negociação é que a instituição tenha nível de qualidade e de credibilidade no mercado que abrange, além de perante ao MEC", afirma o diretor-adjunto do Grupo Educacional Cruzeiro do Sul.

É para se prevenir de eventuais comprometimentos ao seu negócio que a Fanor definiu sua estratégia. "Temos preocupação grande com a seriedade dos proprietários e das instituições adquiridas. Preferimos pagar mais para fazer operações melhores", fala, taxativamente, Filgueiras. Segundo ele, a instituição comprada deve ter posicionamento alinhado ao da Fanor. "As faculdades que escolhemos precisam estar em mercado de preços elevados. A Fanor trabalha com as classes A, B e C. A faculdade comprada precisa atender essas classes, além de ter compromisso com diferenciação do produto", diz.

Quando compra outras IES, a Estácio também procura atender critérios específicos. "A instituição deve ser compatível com o nosso modelo de negócios, ter capacidade de integração e obtenção de sinergias acadêmicas e operacionais. Pretendemos assim assegurar a qualidade do ensino e a perenidade do grupo Estácio. O principal compromisso da nossa administração é assegurar a excelência acadêmica, preservando nosso maior ativo: o aluno", diz Lacerda.

Para adequar a instituição adquirida à sua linha de atuação, o diretor de investimentos da Estácio Participações diz que a entidade não descuida das exigências. "Cuidamos para que as empresas se ajustem ao nosso padrão de qualidade. Nosso modelo de negócio combina rentabilidade e qualidade, mensurada permanentemente através de procedimentos fiscalizadores internos e externos. O desempenho no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) deve ser superior à média nacional e a instituição necessita ter o mesmo rigor metodológico que o nosso. Além de implementar processos permanentes de avaliação interna", explica Lacerda.

O diretor-presidente da Fanor conta que a Faculdade busca zelar pela excelência do ensino. "Primamos por manter a qualidade dos cursos. Mas o processo de aquisições envolve pessoas. Elas não conhecem procedimentos e, por isso, há curva de aprendizagem. Além disso, é o processo de migração e implantação que define a maneira de conduzir. Os alunos colocam credibilidade da instituição em xeque, até porque este é setor em que a aquisição não é habitual. Por isso, há momento de reforma. Temos que vender o projeto e sustentá-lo para fazer as pessoas comprarem", analisa.
 

  Grandes negócios de 2008

Anhanguera - Farplan (Faculdades Planalto-RS) - R$ 10,2 milhões
Anhanguera - Facnet-DF - R$ 20 milhões
Anhanguera - Istituição Educacional (Educar-SC) - R$ 30 milhões
Cruzeiro do Sul - UniDF - Não divulgado
Estácio - Faculdade Interlagos-SP - R$ 6,3 milhões
Estácio - Faculdade Europan-SP - R$ 8,3 milhões
Estácio - Faculdade Brasília de São Paulo-SP - R$ 2,2 milhões
Kroton -  Fipag-ES - R$ 4,6 milhões
Kroton -  NABEC-ES - R$ 150  mil
Kroton -  Uniminas - R$ 22 milhões
SEB - Grupo Dom Bosco-PR - R$ 94,.5 milhões

Fontes: Instituições de ensino

 

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