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Empresa júnior projeta escola e aluno para o futuro

Pesquisa aponta que Brasil conta hoje com aproximadamente 600 EJs em mais de 200 Instituições de Ensino Superior

Por Christina Lima, Tempestade Comunicação

O estudante de Administração Rodrigo Alfieri tinha 19 anos quando se viu em uma situação rara para muitos colegas de sua idade: apresentou um projeto para o diretor francês de uma editora multinacional que havia contratado os serviços da empresa que trabalha. O escritório, na verdade, é o da ESPM Jr., formado e gerenciado por alunos da Escola Superior de Propaganda e Marketing em um projeto que agrega valor ao trabalho educacional da instituição.

"Quando teria uma oportunidade dessas em um estágio?", pergunta Alfieri, hoje com 21 anos, cargo de diretor de relacionamento e um bocado de experiência acumulada na mochila.

A ESPM Jr. é uma das cerca de 600 empresas juniores (EJs) no País, segundo levantamento da Brasil Júnior, a Confederação Brasileira de Empresas Juniores.

O conceito que define esses empreendimentos é o de consultoria gerida por estudantes que realizam projetos e prestam serviços em suas áreas de graduação.

É uma associação civil, com finalidade educacional, sem fins econômicos e caracterizada pela estrutura de baixo custo fixo e preços abaixo dos praticados no mercado.

Os principais clientes são as micro e pequenas empresas, mas muitas EJs exibem em sua carteira trabalhos desempenhados para grandes companhias. A ESPM Jr., há 15 anos no mercado, já prestou serviços para Ericsson, Elma Chips, Larousse e Proctor & Gamble. Os projetos seguem a orientação de professores com o intuito de garantir um alto padrão de qualidade.

As interferências são importantes, porém pontuais. "Quem faz os contatos, elabora os projetos, realiza as pesquisas, redige os relatórios, enfim, quem bota a mão na massa são os alunos", explica o professor de marketing da ESPM, Ricardo Poli. "Estou sempre à disposição dos estudantes e a troca de conhecimento e experiências é constante."

Marcélia Lupeti, professora de marketing da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), concorda. "O aluno aprende e o professor também. O meio acadêmico tem muita informação a oferecer e por meio das EJs esses dados chegam ao mercado", resume.

Marcus Vinicius Escarlate, estudante de 22 anos do 8° período de Administração, é o atual presidente da Júnior FAAP, umas das pioneiras no Brasil, fundada em 1989. Para ele, as EJs são um bom negócio para alunos e empresas contratantes.

"O fator determinante é o preço bem mais competitivo se comparado ao de uma consultoria tradicional. O prazo de entrega pode ser um pouco maior, mas a nossa dedicação e a qualidade final do trabalho são grandes. Todos querem mostrar serviço e, por isso, oferecemos sempre algo mais", conta. O lema da Júnior FAAP, que conta em sua lista de clientes com Infraero, Pirelli, revista "Exame" e Kia Motors, é "vender projetos e desenvolver pessoas".

A EJ, que divide o pioneirismo no País com a FAAP, é a Empresa Júnior FGV-SP, fundada em 1988 por alunos dos cursos de graduação em Administração, Economia e Direito da Fundação Getúlio Vargas. Com mais de 400 projetos no currículo, a Júnior FGV já desenvolveu trabalhos para Danone, FedEx, Rhodia e Unilever. Hoje prefere manter o foco em pequenas e médias empresas.

"Podemos causar mais impacto nas empresas menores", afirma Camila Cavalcanti, estudante de 21 anos do 4° semestre do curso de Administração e diretora administrativa. "Além de todas as vantagens de fazer parte de uma empresa júnior, na FGV temos uma carga horária maior, fica muito difícil conseguir estágio nos dois primeiros anos da faculdade. É uma oportunidade incrível."

Outro exemplo bem-sucedido é o da Empresa Junior Mackenzie Consultoria, em atividade há 17 anos. "Nossa atenção é voltada para a qualidade", afirma o presidente Alex Khouri, 20 anos, aluno do 5° semestre de Administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Entre seus clientes estão as companhias Owens-Illinois, Regispel, Editora Atlas e Dynapac.

A Junior Mackenzie ostenta um certificado ISO 2001 e uma de suas principais características, comum a outras EJs, é a autonomia para realizar as atividades. "Aqui, o estudante toma as decisões e aprende com elas".

As empresas juniores são a valorização da iniciativa e do espírito empreendedor. Citada pelos alunos, a lista de vantagens é grande: desenvolvimento do lado profissional, amadurecimento pessoal, incremento do currículo, contato com o que há de mais moderno no mundo dos negócios, gestão participativa, liberdade para sugerir idéias e propor soluções. Ou seja, aprender na prática o que é ensinado na teoria antes mesmo de sair das universidades.

                                                      Histórico

- A primeira empresa júnior surgiu na ESSEC (L'Ecole Supérieure des Sciences Economiques et Commerciales de Paris) no ano de 1967, em Paris, na França;

- No Brasil, o conceito de empresa júnior chegou em 1988, por intermédio da Câmara de Comércio Franco-Brasileira. As duas primeiras EJs foram: Empresa Júnior FGV-SP e Júnior FAAP;

Em 1993, foi realizado o 1º Encontro Nacional de Empresas Juniores (ENEJ), na cidade de São Paulo. A partir de então, diversas Federações foram criadas;

Na comemoração dos 15 anos do Movimento Empresa Júnior no País, em 2003, foi fundada a Confederação Brasileira de Empresas Juniores;

Números do Brasil
Existem cerca de 600 empresas juniores (EJs) no País, mapeadas em mais de 200 Instituições de Ensino Superior (IES) em todos os estados e no Distrito Federal;

Mais de 50% das EJs estão nas área de humanas, com destaque para os cursos de Administração, Economia e Contabilidade. Quase 30% são da área de exatas, na qual destacam-se os cursos de Engenharia. A área biológica possui 10% delas e outros 10% estão nas multidisciplinares;

Cerca de 60% das empresas juniores são provenientes de IES públicas;.

Cada empresa júnior envolve em média 25 universitários, totalizando quase 15 mil empresários juniores;

Fonte: Brasil Júnior

 

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