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Corpo Docente

Projeto prevê período sabático para professores

28/02/2008

Fábio Pescarini


Um projeto do Senado tenta diminuir a distância entre os professores de educação básica e docentes do ensino universitário e, indiretamente, aumentar o percentual de aprovados em vestibulares de grandes instituições superior. O projeto, do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) prevê período sábático para educadores da rede básica, assim como ocorre já com universitários. Já aprovado no Senado, está em fase final de conclusão na Câmara dos Deputados.

De acordo com dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), em 2002, por exemplo, apenas 54% dos alunos que se formaram no ensino médio ingressaram na faculdade. O Censo 2006, também coordenado pela instituição ligada ao MEC (Ministério da Educação) apontou que 44,9% das vagas no ensino superior particular não foram preenchidas. Uma das principais causas está na falta de preparo de estudantes na educação básica.

Em recente entrevista à @prender, a vice-reitora da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, Elizabeth Guedes, apontou como grande vilão o baixo índice de instrução no ensino fundamental, que desencadeia no ensino médio e, por conseqüência, na falta de aprovação nos vestibulares.

"Nosso problema é o ensino básico", diz. "Temos um excesso de cursos tradicionais que não preparam o aluno de forma correta para entrar na faculdade ou até mesmo para o ensino médio", afirma Elizabeth.

Com o período sabático, o senador Cristovam Buarque acredita que essa diferença pode diminuir. Em entrevista exclusiva à @prender, por telefone, o parlamentar disse que educação básica sempre ficou renegada no país. "O projeto é absolutamente novo para a educação de base. A cada sete anos, o professor tem direito a tirar um período de licença [que pode chegar a um ano] para aperfeiçoamento e realização de cursos. Hoje esse não é um direito, pode acontecer se o prefeito ou o governador quiser", diz.

Para o senador, as chances de o projeto melhorar a qualidade de ensino cresce se professores da rede pública também ganharem melhores salários. "Se você avaliar o que eles [docentes] recebem, até que são bem preparados no Brasil. Mas se compararmos com professores da Europa, Estados Unidos ou da Coréia, veremos que estamos muito atrás."

Essa melhora no contracheque, para Buarque, ocorreria com a federalização da educação de base, com concursos públicos a nível nacional, como já ocorre com instituições como Banco do Brasil ou Polícia Federal, por exemplo. "Com a federalização haverá uma vigência muito maior. Teremos a mesma qualificação em qualquer que seja a cidade para onde o professor for. Hoje existe uma desigualdade muito grande de um município para outro", afirma.

Foto: José Cruz/ABr

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