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Corpo Docente

EAD faz professores buscarem nova formação

Gabriela Bittencourt
Da Tempestade Comunicação

Uma modalidade de educação desenvolvida sem que alunos e professores estejam permanentemente frente a frente. Um método no qual fica abolida a rotina diária da sala de aula e esta passa a ser desenvolvida em âmbito virtual. Uma forma de lecionar em que os docentes usam fitas de áudio e vídeos, material impresso distribuído pelo correio e a internet. Assim é a EAD (educação a distância), que leva o ensino a todos os lugares do país. Professores que passaram a vida toda com a chance de olhar nos olhos de seus alunos, hoje precisam se preparar de forma distinta.

Em 2004, Telma Ardoim, professora de língua portuguesa há 37 anos, começou a lecionar a distância diretamente da filial da Universo (Universidade Salgado de Oliveira), em São Gonçalo (RJ). E tudo mudou na sua rotina. "Os professores têm que se preparar mais para as demandas de todos os alunos e também para as diferenças na linguagem de cada região. A rotina está apenas no ligar e desligar o computador. A cada dia temos uma novidade. Já aconteceu de abrir meu e-mail e ter 80 mensagens novas esperando respostas. A mesmice da sala de aula não existe na educação a distância", afirma.

Não são apenas os docentes que devem se adaptar às diferenças da EAD. De acordo com a professora da Universo, os alunos precisam ser mais disciplinados. "Eles têm o compromisso de fazer os exercícios e estudar diariamente. De maneira geral, os alunos no Brasil estudam apenas na véspera da prova. Quem faz curso a distância estuda durante todo o semestre. Na Universo, por exemplo, eles fazem exercícios quando terminam todas as unidades; realizam dois testes, um no meio e outro no fim do semestre; e passam por avaliação presencial semestral. Temos depoimentos de alunos que contaram nunca terem estudaram tanto quanto depois que começaram a aprender a distância.".

Para oferecer um curso desse modelo, as universidades dependem do credenciamento institucional concedido pelo MEC (Ministério da Educação). "Em linhas gerais, analisamos a capacidade da instituição em ofertar curso superior a distância, o que é diferente de montar um projeto apenas. É preciso criar condições de atender o aluno e isto envolve corpo docente, tutoria e material, além da sustentabilidade do programa em termos de financiamento e atendimento à legislação geral de educação e do método a distância", explica Hélio Chaves Filho, do Departamento de Políticas em Educação a Distância do MEC, acrescentando que o processo para o credenciamento pode levar de seis meses a um ano.

Educar a distância

De acordo com o diretor do Ministério da Educação, o órgão, "vê com bons olhos" a capacitação dos docentes. "O MEC trabalha com a indução de que toda instituição tenha prevista a capacitação permanente de sua equipe multidisciplinar, professores, tutores e corpo técnico e administrativo." 

João Roberto Moreira, diretor da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), também defende que as universidades devam preparar seus docentes para o método. "O conhecimento hoje é um bem de domínio público e os alunos se antecipam, exigindo que os professores se preparem mais. Um dos primeiros passos para a EAD é oferecer mecanismos modernos, como computadores com conexão em banda larga e processos de educação permanente aos professores", afirma.

Segundo a ABED, são 246 os cursos de lato sensu e 205 de graduação a distância em todo o país. Na Unifacs (Universidade de Salvador), o professor passa por uma preparação antes de lecionar segundo o método de EAD. "Essa capacitação consiste num curso de extensão a distância, onde cada um dos profissionais vivenciará a condição de aluno nessa modalidade de ensino. Na medida em que vive essa experiência, eles aprendem também os conteúdos e procedimentos específicos referentes ao modelo pedagógico para EAD definido pela instituição e que serão necessários para a sua atuação", conta Joberto Martins, adjunto de reitor para educação a distância.

Martins afirma que a estrutura do curso é bastante complexa e necessita de um bom planejamento. "O projeto deve ser articulado, pois envolve professores, educadores responsáveis pelo conteúdo, coordenadores, tutores locais e virtuais, além de sistemas, ferramentas de web, ambientes de aprendizagem, pólos, logística, produção e distribuição das mídias (material impresso e eletrônico)", diz.

A Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), em Porto Alegre, também oferece aos alunos a opção de estudar sem cumprir a exigência de aulas presenciais diárias. A instituição possui dois sistemas de educação a distância: o EAD Conectado, cujo conteúdo é disponibilizado pela internet e a presença do aluno no pólo mais próximo a ele, cobrada uma vez por mês; e o semipresencial, ministrado por meio de vídeos e livros e que requer a freqüência semanal.

Semestralmente a Ulbra oferece um curso para preparar novos professores para o método. Segundo Lígia Futterleib, diretora de planejamento e legislação de educação a distância da instituição, os professores de EAD participam de programa de formação e aperfeiçoamento. "Implementamos o programa para aprimorar a ação docente na educação a distância abordando a metodologia e a teoria. Promovemos um acompanhamento permanente por meio das salas de integração, ambiente virtual no qual os professores e os tutores, que ficam nos pólos ou nos pontos operacionais presenciais, recebem acompanhamento pedagógico da universidade", explica, acrescentando que em 2005 a Ulbra passou a ofertar formação em pedagogia a distância e hoje disponibiliza cursos, tanto de graduação quanto lato sensu, em diversas áreas.

Vida corrida

De acordo com a ABED, 778 mil pessoas em todo o Brasil fizeram graduação ou pós-graduação a distância em 2006. No ano passado, o número de alunos do ensino superior inscritos nesses cursos, credenciados pelo Ministério da Educação, aumentou 91% em relação a 2005. Esses estudantes são como Raquel Rodrigues, 31 anos, que no final de 2006 decidiu cursar uma graduação a distância por falta de tempo para ir à universidade diariamente.

A professora do município de Esteio (RS), se matriculou no curso semipresencial de pedagogia da Ulbra, mesmo morando a poucos minutos da capital do Estado, onde a instituição está localizada. "Minha rotina é muito intensa, sou professora do município, faço trabalho voluntário e ainda tenho filho pequeno. Não dá tempo para cursar uma universidade com aulas presenciais diárias. Sempre quis fazer uma faculdade. Depois que fiquei sabendo do curso a distância, por meio de amigos, percebi que teria uma chance e logo me matriculei", diz.

As aulas de Rodrigues começaram no primeiro semestre de 2007 e ela diz estar satisfeita com a flexibilidade que o curso oferece. "Estudo em casa nos momentos que me sobram todos os dias. Às vezes, estou fazendo alguma atividade no lar, coloco o DVD e fico escutando o professor falar. Nas aulas presenciais também assistimos a vídeos com uma professora que nos dá orientações sobre todas as cadeiras."

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