Visão de mercado, foco e missão bem definidos são requisitos mínimos para atuar no maior mercado brasileiro de educação superior Por Trama Comunicação | |||||||||||||||||||||||||
Esses números são conseqüência do protagonismo que o Sudeste teve no início da expansão do ensino superior: considerado um grande negócio na segunda metade da década passada, o crescimento ocorreu primeiramente nas capitais, para depois atingir cidades importantes do interior e se espalhar por todas as sub-regiões dos distritos. Atualmente, esse processo vive uma desaceleração e o que se pode ver, assim como em todo o Brasil, é uma tendência de consolidação do setor. "Com a concorrência que se observa no Sudeste, o sucesso aparece para as IES que se posicionam corretamente - defi - nindo qual classe social querem atingir - e que possua foco em uma área específi ca do ensino", avalia o professor Carlos Monteiro, diretor-presidente da CM Consultoria. Uma das instituições que mantém seus diferenciais competitivos com foco em certas áreas é a Faculdade Santa Marcelina, unidade Perdizes, localizada na região oeste da cidade de São Paulo. Em vez de oferecer cursos que respondem por aproximadamente 50% da oferta de vagas para ensino superior no Brasil - Direito, Administração, Engenharia, Pedagogia e Letras - a instituição procura se concentrar nas graduações nas quais investiu e construiu notoriedade: Música, Moda, Relações Internacionais e Artes Plásticas. Segundo a professora Vera Lígia, pró-diretora acadêmica da Faculdade, a instituição ainda não possui interesse em se expandir por meio de abertura de cursos, já que essa ação dependeria da possibilidade de focar em mais uma área em que se pudesse investir para manter a qualidade para as classes A e B, às quais a instituição atende. "Podemos estudar essa possibilidade, mas dependemos também de nossa transformação em Centro Univer Universitário, o que nos daria mais mobilidade para trabalhar esse aspecto", afirma.
Apesar de ter passos mais cautelosos na zona oeste, a Santa Marcelina vem investindo também em sua unidade Itaquera, localizada na região leste da capital paulista. Criada inicialmente para atender à demanda de profissionais do Hospital Santa Marcelina, que pertence à mesma congregação religiosa que dirige o ensino, o campus destaca-se por oferecer cursos voltados a camadas mais pobres da população e pode ser uma aposta da instituição para o aumento no número de alunos. O diferencial fi ca por conta do hospital próprio da mantenedora, que fornece diversas oportunidades aos alunos. Vera Lígia revelou também que a Faculdade Santa Marcelina estuda o mercado para ingressar em uma das áreas que mais oferta vagas no País, a de Pedagogia. Essa possibilidade só foi aventada, no entanto, em função das mudanças das diretrizes para essa graduação e a possibilidade de torná-la atrativa para os alunos, atribuindo a marca Santa Marcelina. "A gente percebe que com essa nova visão do curso de Pedagogia, o professor poderá voltar a ter um papel signifi cativo na sociedade. Nossa meta seria a de fazer um curso com total excelência para a formação desses profi ssionais da educação", completa.
Se alguns alunos da região Sudeste procuram as escolas mais renomadas do mercado, sem se importar muito com o preço, a grande maioria dos estudantes tem o valor da mensalidade como sua maior preocupação. Diante disso, o grande desafio de boa parte das instituições é conseguir baixar cada vez mais seus custos, manter profi ssionais compromissados com sua meta, além de investir no período noturno. As Faculdades Integradas do Oeste de Minas (Fadom), localizada em Belo Horizonte, é uma das IES que precisam responder a esses desafi os. Segundo Gislaine Moreno, diretora acadêmica da instituição, a forma de garantir alunos e sucesso ainda é apostar em áreas tradicionais, como Administração e Direito. "São áreas que estão em alta, assim como as engenharias e os cursos na área de saúde, que apresentam constante crescimento". Gislaine aponta, no entanto, que as licenciaturas e as carreiras que envolvem a formação de professores não garantem oportunidades às IES na capital mineira. Se a aposta é nas áreas tradicionais e o foco é nas classes C e D, a escola sabe que deve trilhar pelo caminho do aumento da qualidade com redução de preços. "Buscamos sempre aperfeiçoar nossos processos sem repassar custos para as mensalidades com ajustes na gestão". Assim como a Santa Marcelina, a Fadom também pretende buscar a transformação em Centro Universitário para garantir flexibilidade às operações. "Essa mudança nos dará mais autonomia e dinamismo", Investir em agilidade no atendimento, professores compromissados e em boa recepção de alunos de programas como ProUni e Fies também fazem parte da estratégia da instituição para garantir sucesso na capital mineira. "Além disso, vamos apostar em cursos noturnos que respondem às necessidades dos alunos que estão no mercado de trabalho", explica a diretora.
Outra característica marcante do Sudeste é o domínio de parte do mercado por grandes instituições e grupos educacionais que apostam na escala e em uma gestão efi caz na redução de custos para oferecer mensalidades cada vez menores para as classes mais necessitadas. O Rio de Janeiro, por exemplo, possui IES como a Estácio de Sá, que mantém mais de 100 mil alunos matriculados e o grupo Universo. Com um número menor de alunos (22 mil), mas grandes expectativas de crescimento, o Anhanguera Educacional busca sua expansão no interior de São Paulo, investindo em cursos tecnológicos de menor duração e apostando na cobrança de mensalidades ajustadas à demanda. Segundo o professor Antonio Carbonari Netto, presidente do grupo, para chegar a esse ponto foi necessário redefi nir o conceito de qualidade. "Os grandes pensadores da administração e do marketing garantem que qualidade é satisfazer as necessidades e desejos dos usuários. A aprendizagem não tem mais o foco único no professor e o bom projeto pedagógico é mais importante que a autonomia docente. Com esse conceito é possível redefi nir custos operacionais, manter currículos mais efi cientes e cobrar mensalidades mais adequadas", afirma.
O professor justifica seu discurso em números: a maioria dos cursos da instituição teve avaliação positiva do Ministério da Educação (MEC) e relativo sucesso no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), com 70% das notas girando entre 3 e 4. "Isso porque não estamos preocupados com a formação de ‘elites dirigentes', mas sim com qualifi cação profi ssional que forneça aos jovens possibilidade de ascensão social. Isso é o que importa em uma educação superior de massa, que deve ser fornecida com qualidade", completa. Carbonari completa que qualquer instituição que entra no mercado deve manter sua visão e missão. "Não dá para fazer ensino superior ao acaso e por oportunismo, como foi nas últimas décadas. O planejamento acadêmico-financeiro é imprescindível para a sobrevivência de qualquer instituição que pretenda atender nichos mais pobres da população". Com essa atitude, a meta do Anhanguera é chegar a 60 mil alunos nos próximos 4 anos. Com essa análise de mercado, é possível concluir que fazer educação superior na região Sudeste é tarefa para profi ssionais com muita competência administrativa e que possuam completa noção do ambiente que os rodeia. "Entrar no mercado é difícil, mas ele sempre terá espaço para players que saibam interpretá-lo e implementar medidas para atendê-lo", conclui o professor Carlos Monteiro.
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