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Legislação Educacional

O ensino que encurta distâncias

30/07/2007

Christina Lima, da Tempestade Comunicação


O deputado federal Alex Canziani (PTB-PR) é presidente da Frente Parlamentar de Educação Profissional, Tecnológica, Educação a Distância e Novas Tecnologias Educacionais, instaurada em 17 de maio, por um grupo suprapartidário que reúne no Congresso Nacional deputados, senadores, representantes de organismos e instituições ligadas à educação.

Paranaense de Londrina, Canziani, que também é titular da Comissão Permanente de Educação e Cultura da Câmara, acredita que a educação a distância tem papel fundamental em um país do tamanho do Brasil. "Temos condições de realizar os dois ensinos, presencial e a distância, e ambos com boa qualidade. Basta aplicarmos os instrumentos apropriados para isso", diz.

@prender: A Frente Parlamentar tem influência sobre as políticas desenvolvidas pela Secretaria de Educação à Distância do MEC?

Alex Canziani:
Eu não diria que a Frente tem influência, diria que tem cooperação. Obviamente nós temos tido contatos com o secretário atual e o anterior. Nesses contatos discutimos projetos, a política do segmento e as proposições que são encaminhadas ao Congresso Nacional.

@prender: Quais foram os reflexos do Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que regulamentou a educação a distância nas escolas de educação básica e superior e nas instituições de pesquisa científica e tecnológica?

Alex Canziani:
O decreto em si foi importante porque regulamentou a educação a distância. O documento deu diretrizes a um setor que vem crescendo muito no Brasil. Hoje já são mais de 200 mil alunos ingressos nesses cursos, o que não é pouco. Então, evidentemente, era preciso dar um ordenamento. Vejo isso não como um reflexo, mas como uma necessidade.

@prender: O ensino presencial e a distância são equivalentes?

Alex Canziani:
Num país continental como o nosso, onde temos uma carência muito grande de educação, vejo que o ensino a distância tem um papel fundamental, até na redução de custos. Hoje, pegamos um professor com mestrado ou doutorado para dar aula a 40 alunos, por exemplo, o custo é muito alto numa escola convencional, ao passo que se pudermos reduzir esses gastos conseguiremos fazer com que mais alunos dos vários rincões do país possam ter acesso ao ensino. O Brasil e o mundo têm condições de realizar os dois ensinos, presencial e a distância, e ambos com boa qualidade. Basta aplicarmos os instrumentos apropriados para isso.

@prender: Quais cuidados alguém que está interessado em fazer um curso a distância deve tomar para não perder tempo nem dinheiro?

Alex Canziani:
Deve procurar uma instituição que seja séria e reconhecida. Ver se os cursos nos quais está interessado foram aprovados pelo MEC e outras ações deste gênero. É bom salientar que existem publicações e instituições que fazem o acompanhamento dessa qualidade. A pessoa precisa certificar-se bem para que não venha a perder tempo e dinheiro. Antes de ter ensino, tem de procurar informação.

@prender: O e-learning, combinação de ensino com auxílio da tecnologia e educação a distância via web, trouxe novos significados para o treinamento e multiplicou as possibilidades para difusão do conhecimento. Qual a situação da educação pela internet no Brasil?

Alex Canziani:
Ainda está engatinhando, mas com certeza vai crescer muito. No mundo de hoje, com a correria do dia-a-dia, muitos não têm como realizar cursos se ficarem apenas em um lugar, fisicamente falando. Então, por meio da internet, eles terão a oportunidade de realizá-los. Acho isso bastante positivo.

@prender: A internet tomou a dianteira quando o assunto é educação a distância, mas podem ser utilizados também correio, rádio, televisão e vídeo. Essas outras mídias, mais limitadas, ainda têm espaço?

Alex Canziani:
Acho que sim. Nem todo mundo hoje tem acesso à internet e ainda existe um caminho grande que pode ser preenchido por esses meios. É um leque de ofertas que está sempre aberto.

@prender: O UAB (Universidade Aberta do Brasil) é um projeto de sistema de educação superior na modalidade de educação a distância que vem sendo desenhado desde 2005. Qual a atual situação do projeto?

Alex Canziani:
Ele começou a ser implementado este ano. Em 2006, teve o edital e agora está sendo ofertado. São mais de 200 pólos no Brasil e acredito que vai ter um resultado muito bom, ainda mais porque o Ministério da Educação quer focar a formação de professores. Hoje existe uma carência muito grande de professores e a universidade aberta vai contribuir neste sentido também.

@prender: Do que trata o Edital da Chamada Pública MEC/Setec nº 1/2007?

Alex Canziani:
É mais um avanço. É uma solicitação que já havia sido feita há algum tempo e foi muito bem-vinda. Este edital trata de oferta de cursos técnicos a distância e, como deixamos claro, o Brasil tem uma carência muito grande disso. A educação clássica forma as pessoas para irem às faculdades e universidades, mas temos também que formar pessoas para o mercado de trabalho. A grande maioria quer ir para o mercado de trabalho! Esse edital vai ser um grande sucesso justamente por causa disso.

@prender: O que são e qual o papel dos CVT (Centros Vocacionais Tecnológicos)?

Alex Canziani:
Os CVTs tiveram origem em uma idéia do deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), quando foi secretário de Ciência e Tecnologia do Ceará, de 1995 a 2002. A intenção é levar laboratórios, aulas e cursos para atender às demandas regionais. O Ceará já tem um belo trabalho nesse sentido, inspirado na experiência do antigo Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) de Medianeira, no Paraná. Minas Gerais também faz um trabalho muito bom nesse sentido. Aprovamos agora, para a próxima LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), uma ação para que possamos complementar as escolas técnicas já existentes e aquelas 150 que recentemente o governo anunciou. Nossa idéia é que para cada escola do Cefet tenhamos cinco CVTs em cidades menores próximas. Acredito que oferecendo bolsas de estudo conseguiremos expandir ainda mais o ensino no Brasil, que, diga-se de passagem, infelizmente, ainda tem uma grande quantidade de analfabetos funcionais.

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